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Refugiados em Kakuma enfrentam queda de renda com avanço da inteligência artificial
Refugiados que trabalham com tarefas digitais no campo de Kakuma, no norte do Quênia, passaram a aceitar projetos sem salário garantido à medida que oportunidades de trabalho remoto diminuíram entre 2022 e 2024.
Refugiados que trabalham com tarefas digitais no campo de Kakuma, no norte do Quênia, passaram a aceitar projetos sem salário garantido à medida que oportunidades de trabalho remoto diminuíram entre 2022 e 2024.
Grace, que pediu anonimato, pesquisou traduções de hinos cristãos para a plataforma AOP Connect, da empresa britânica RWS. O projeto poderia render até US$ 500 por meio de uma recompensa discricionária, mas não garantia pagamento aos participantes.
O campo de Kakuma abriga mais de 300 mil pessoas, que dependem quase inteiramente de ajuda humanitária porque a aridez e a escassez de água impedem a agricultura. A organização Solidarity Initiative for Refugees treinou mais de 2 mil refugiados e conectou mais da metade deles a trabalhos digitais.
Segundo a reportagem do The Guardian, tarefas como transcrição, entrada de dados, tradução e pesquisa na internet diminuíram cerca de 50% desde 2022, de acordo com estimativa do Centro de Comércio Internacional. O fechamento da plataforma Remotasks no Quênia, em 2024, agravou a redução das oportunidades.
Refugiados também relataram trabalhos de anotação envolvendo armas, ferimentos graves e pornografia, além de sintomas de estresse pós-traumático. Alguns disseram ter contribuído para produtos ou serviços sem saber quem era o cliente ou qual seria a finalidade do material.
Por que importa: A redução dos trabalhos digitais mostra como a inteligência artificial pode ampliar a dependência de empresas globais em relação a trabalhadores vulneráveis, enquanto transfere para eles o risco de trabalhar sem salário garantido e sem transparência sobre o uso de sua contribuição.
Reportagem original apurada por The Guardian.
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